Especialistas destacam diagnóstico precoce e novos tratamentos em palestra sobre Alzheimer e depressão na Urcamp
A importância do diagnóstico precoce, dos avanços terapêuticos e da prevenção do Alzheimer e da depressão esteve em pauta na noite desta sexta-feira, 31, durante a palestra “Conhecer para Cuidar: Conversando sobre Alzheimer, depressão e os novos tratamentos dessas condições”, realizada no Salão de Atos do Campus Central da Urcamp. Promovido em parceria com a instituição, o evento reuniu especialistas e comunidade para discutir doenças que afetam pacientes, familiares e cuidadores, além de apresentar informações sobre os tratamentos mais recentes disponíveis.
Participaram da programação o neurologista João Eduardo Tonini Bastianello, a geriatra Maria Cristina Pazinatto e o psiquiatra João Otávio Martinez. Ao longo da noite, os profissionais abordaram o diagnóstico, a prevenção, os cuidados e as novas possibilidades terapêuticas para o Alzheimer e a depressão, além de responderem dúvidas do público.
A abertura do encontro contou com a presença do reitor da Urcamp, professor doutor Guilherme Cassão Marques Bragança, que ressaltou a importância da Urcamp promover espaços de diálogo sobre temas que impactam diretamente a qualidade de vida da população. Em sua manifestação, destacou o compromisso institucional com a produção e a difusão do conhecimento, reforçando que a aproximação entre o ambiente acadêmico, profissionais da saúde e comunidade fortalece o acesso à informação e contribui para a prevenção e o cuidado.
Durante sua explanação, o neurologista João Eduardo Tonini Bastianello chamou atenção para o baixo índice de diagnóstico da doença de Alzheimer no Brasil. Segundo ele, apenas cerca de 20% dos casos são diagnosticados, cenário que evidencia a necessidade de ampliar o acesso à informação e estimular a procura por atendimento especializado.
O médico explicou que um dos principais objetivos da palestra foi esclarecer dúvidas da população e apresentar as chamadas drogas modificadoras da doença, aprovadas no Brasil há cerca de um ano e que representam um novo momento no tratamento do Alzheimer. Conforme Bastianello, essas terapias têm potencial para alterar a evolução da doença quando indicadas nos estágios iniciais.
O neurologista orientou que a busca por avaliação médica deve ocorrer quando as perdas de memória começam a interferir nas atividades do cotidiano, como cozinhar, utilizar o celular ou desempenhar tarefas que anteriormente eram executadas sem dificuldades. "Quanto mais cedo procurarmos um neurologista, maiores são as possibilidades de iniciar um tratamento precoce", ressaltou.
Ele explicou ainda que mais de 90% dos casos de Alzheimer surgem após os 60 ou 65 anos de idade, enquanto os casos em pessoas mais jovens geralmente estão relacionados a formas hereditárias da doença. Também destacou que o acompanhamento multiprofissional, envolvendo neurologistas, geriatras, psiquiatras, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e outros profissionais, é fundamental para controlar sintomas, preservar a autonomia do paciente e oferecer suporte às famílias.
A geriatra Maria Cristina Pazinatto direcionou sua palestra ao cuidado integral da pessoa idosa. Segundo ela, o paciente não pode ser visto apenas sob a ótica da doença, mas considerando sua história, autonomia, vínculos familiares e condições clínicas.
Entre os temas abordados esteve o delirium, quadro de confusão mental aguda frequentemente confundido com Alzheimer. A médica explicou que essa condição pode surgir em poucas horas ou dias e estar relacionada a fatores como infecções, desidratação ou efeitos colaterais de medicamentos, exigindo diagnóstico adequado para evitar equívocos na condução do tratamento.
Outro ponto enfatizado pela geriatra foi a influência do estilo de vida na prevenção das demências. Conforme a geriatra, alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas e hábitos saudáveis são fatores que contribuem significativamente para reduzir o risco de comprometimento cognitivo e funcional ao longo do envelhecimento.
Já o psiquiatra João Otávio Martinez destacou que o encontro buscou aproximar o conhecimento científico da população, facilitando o acesso à informação e reduzindo as dúvidas de quem convive com sintomas ou acompanha familiares em tratamento.
Segundo ele, muitas pessoas deixam de procurar ajuda por acreditarem que enfrentarão processos complexos ou demorados, quando, muitas vezes, o tratamento pode ser iniciado de forma mais simples do que imaginam.
Martinez também explicou que Alzheimer e depressão mantêm uma relação de influência mútua. Conforme o psiquiatra, o declínio cognitivo pode favorecer o surgimento de sintomas depressivos, enquanto a depressão também interfere na cognição, reduzindo a disposição para atividades físicas, alimentação adequada e estímulos intelectuais.
O especialista defendeu que a procura por atendimento não deve ser adiada diante dos primeiros sinais de sofrimento emocional ou alterações cognitivas. Para ele, os avanços da medicina oferecem tratamentos cada vez mais seguros e eficazes, capazes de minimizar os prejuízos e proporcionar melhor qualidade de vida quando iniciados precocemente e conduzidos de forma criteriosa.