Curso de fonoaudiologia promove atendimento a 54 pacientes no Hospital Universitário

Coordenadora do curso de fonoaudiologia, Ana Francisca Constantino Ferreira Souza, com grupo de estagiários da sexta-feira

AÇÃO ENVOLVE 51 ESTAGIÁRIOS E LISTA DE ESPERA COM 174 INSCRITOS

 

O curso de fonoaudiologia da Urcamp iniciou, no último dia 15, o período de estágios junto ao Hospital Universitário e já garante o suporte para 54 pacientes. As atividades reforçam as diretrizes de ensino que asseguram a união entre teoria e prática a partir do acompanhamento de casos reais e constante avaliação de professores. Para o reitor da Urcamp, professor doutor Guilherme Cassão Marques Bragança, a ação do curso no Hospital Escola do HU permite, ainda, que a instituição contribua para a melhoria da qualidade de vida em toda a região. “Observamos que o serviço é muito demandado por municípios vizinhos e pelas escolas, por exemplo”, analisa Bragança. 

 

O semestre inicia com 51 acadêmicos em plena atividade, sob orientação e supervisão docente. A listagem de pacientes é reunida pela equipe no próprio Hospital Universitário, onde a espera para os próximos períodos de estágio já soma 174 inscritos. “O serviço de fonoaudiologia foi cadastrado no HU porque é lá que temos espaços de laboratório adequados às atividades de acompanhamento dos pacientes. Mas trabalhamos na perspectiva de que nos próximos semestres tenhamos o credenciamento deste atendimento também junto aos organismos de regulação do Estado e do município, o que certamente permitirá novos encaminhamentos”, explica a coordenadora do curso, professora mestra Ana Francisca Constantino Ferreira Souza.

 

Atualmente, os acadêmicos estão divididos em equipes para os 22 atendimentos que concentram-se nas noites de segundas e sextas-feira (área de linguagens), sob orientação da coordenadora do curso, e quartas e quintas-feiras (voz e motricidade) sob supervisão da professora Ana Carolina Albornoz. Antes do estágio atual, os alunos já foram orientados por profissionais no semestre anterior, quando acompanharam atendimentos a pacientes feitos por profissionais já formados e professores. Agora é a vez de desenvolverem as atividades sob orientação, em uma prática que será permanente até o final do curso. “Esse processo de preparação para a realidade e de experimentação orientada é que permite oferecer qualidade ao trabalho e ao ensino da fonoaudiologia”, informa a coordenadora, lembrando, inclusive, que grande parte dos casos atuais seguirão sendo atendidos pela mesma equipe no segundo semestre de 2026. 

 

APRENDIZADO E PRÁTICA NA SAÚDE

Os acadêmicos Sabrina Soares Fagundes Mendes e Willian Rodrigues de Rodrigues, ambos no quinto semestre de Fonoaudiologia, iniciaram sua primeira experiência de estágio clínico com expectativas elevadas. Até o quarto semestre, a formação é voltada à observação, sendo apenas a partir do quinto que passam a realizar atendimentos diretos com pacientes — um momento marcante na trajetória acadêmica.

 

Os estudantes relatam entusiasmo, mas também consciência em relação à complexidade dos casos atendidos, especialmente no trabalho com crianças, como era o caso do atendimento que faziam em conjunto no momento da entrevista. Destacam que esse início exige não apenas conhecimento técnico, mas também sensibilidade para lidar com as expectativas das famílias e com a singularidade de cada paciente. A experiência clínica é percebida como um processo de construção, no qual teoria e prática se encontram, exigindo adaptação constante.

 

Atuando em dupla, Sabrina e Willian acompanham um paciente ao longo de todo o semestre, com possibilidade de continuidade no período seguinte. Na área da linguagem, descrevem um percurso que se inicia com a anamnese (espécie de entrevista para levantar informações sobre o caso) junto à família, buscando compreender o histórico e o desenvolvimento da criança. A seguir, estabelecem gradualmente um vínculo com o paciente, etapa considerada essencial para o planejamento das intervenções terapêuticas. O processo é longo e envolve não apenas aspectos técnicos, mas também a construção de confiança, especialmente por se tratar de atendimentos infantis, que demandam abordagens diferenciadas e flexíveis.

 

O estágio é realizado sob supervisão constante de professores, que acompanham as atividades em campo, oferecendo orientações e suporte às duplas. Além disso, ao final de cada período de atendimento, há momentos coletivos de discussão de casos clínicos, nos quais os estudantes compartilham experiências, analisam diferentes situações e refletem, em conjunto com os docentes, sobre as melhores abordagens terapêuticas.

 

Os atendimentos ocorrem uma vez por semana, com duração de 30 minutos por paciente. A prática contempla tanto o atendimento de adultos quanto de crianças, abrangendo diferentes áreas da Fonoaudiologia, como linguagem, voz e motricidade orofacial. 

 

ENTRE A NOVIDADE E A ESPERANÇA

Enquanto os estágios ampliam oportunidades para a formação de novos profissionais, para a comunidade o serviço chega como uma proposta de esperança. Isso é o que afirma a pedagoga Carla Margarete de Ávila Cavalheiro dos Reis. Ela e seu marido, o vigilante Marcos Vinícius Pires dos Reis, acompanham a pequena Sarah Caroline, 4 anos, em seu segundo dia de tratamento. A filha do casal tem diagnóstico de Síndrome de Down e os pais encontram no serviço de fonoaudiologia um recurso possível para garantir as condições adequadas de oralidade e aprendizado. “E eu fiquei sabendo porque eu participei de um grupo, o Cromossoma do Amor, que tem vários pais, e o pessoal comentou que ia ter atendimento da Urcamp. Eu tenho mais que esperança. Tenho convicção, porque é a primeira vez que ela tem este acesso. Porque a fala para, eles, é muito importante. É a parte mais complicada”, detalha a mãe, aliviada porque o serviço de fonoaudiologia é muito raro em Bagé. “Se particular já é difícil, ainda mais quando depende do SUS. Então, para nós é maravilhoso”, avalia.

 

NA LISTA DE ESPERA

A coordenadora do curso de Fonoaudiologia, Ana Francisca Constantino Ferreira Souza, explica que o grupo de inscritos que ainda não foi contemplado com o atendimento deste semestre não fica totalmente desassistido. “Os alunos que já estão no estágio organizam grupos de acompanhamento parental para pacientes que não foram chamados para os atendimentos” , antecipa. Estes grupos são separados por faixas etárias e por tipo de demanda a fim de passar orientações para que as famílias não fiquem desassistidas.

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