Museu Dom Diogo abre exposição da Sociedade Portuguesa e maquete virtual do Forte de Santa Tecla
Símbolo da história de Bagé, cuja imagem é utilizada nas principais mensagens postadas em redes sociais, o Museu Dom Diogo de Souza, mantido pela Fundação Attila Taborda (Fat/Urcamp), apresentou contribuições às comemorações pelos 215 anos de fundação do município. No último dia 17, o aniversário da cidade viu a abertura de uma exposição que marca a atuante presença da Sociedade Portuguesa de Beneficência na história da cidade e o lançamento de uma maquete virtual em 3D que aborda uma perspectiva dinâmica do Forte de Santa Tecla, conquistado pelos portugueses há 250 anos.
A história da comunidade portuguesa passou a ocupar lugar de destaque no acervo aberto do Museu Dom Diogo com a inauguração da exposição "Sociedade Portuguesa de Beneficência: Memória e Presença em Bagé". A mostra reúne documentos, fotografias e objetos que retratam a presença portuguesa desde a conquista do Forte de Santa Tecla até a fundação da Sociedade Portuguesa de Beneficência, evidenciando a contribuição dessa comunidade para a formação histórica e cultural da Rainha da Fronteira.
Durante a solenidade, a presidente da Sociedade Portuguesa de Beneficência, Soraya Colares, anunciou que a entidade oficializou a doação de toda a documentação histórica relacionada à atuação da entidade em Bagé. Segundo ela, a decisão reforça o compromisso da entidade com a preservação da memória bajeense. "Entendemos que este é o espaço destinado à preservação da história de Bagé. Esses documentos passam a integrar o acervo do museu para que permaneçam acessíveis à comunidade e às futuras gerações", afirma.
A exposição também apresenta uma reconstrução digital em três dimensões do Forte de Santa Tecla, permitindo ao visitante visualizar como era a fortificação que marcou o início da ocupação da região. O projeto foi desenvolvido pelos acadêmicos dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e de Engenharia Civil da Urcamp, sob a coordenação da professora doutora Fernanda Barasuol. O trabalho desenvolveu-se a partir de pesquisas históricas e entrevistas, transformadas em um vídeo narrado e legendado que contextualiza a importância do forte para a formação de Bagé.
Para as gestoras de museus da Urcamp, Carmen Barros e Maria Luiza Pegas, a nova documentação enriquece o acervo de registros das famílias portuguesas à disposição das pesquisas feitas no museu. Já a maquete oferece nova dinâmica à visitação da sala do Forte de Santa Tecla, sugerindo imagens virtuais retiradas de pesquisas históricas.
História, parceria e paz
Durante a inauguração da mostra, no salão central do Museu Dom Diogo, o reitor da Urcamp, professor doutor Guilherme Cassão Marques Bragança, destacou a missão que a Fundação Attila Taborda e a Urcamp têm sustentado junto à identidade regional e à manutenção do Museu Dom Diogo de portas abertas para toda a comunidade. “E nessa tarefa que consideramos muito nobre e construtiva para o autoconhecimento de todos os bageenses, eu agradeço pela parceria e sensibilidade da Sociedade Portuguesa de Beneficência. Este longo período de parceria, que também enfrentou momentos de dificuldades, sempre nos reafirmamos com a compreensão deste grupo que entende a importância de um museu vivo para toda a comunidade”, afirmou Bragança.
O dirigente classificou, também, que uma mostra sobre a trajetória da constituição da Sociedade Portuguesa em espaço nobre do museu destaca aspectos da cultura que devem ser reforçados com a passagem do tempo. “Já a maquete que traz movimento e imagem à história do Forte de Santa Tecla reúne elementos de épocas de disputa bélica, que, com a existência do museu, podem ser comemorados em um tempo e espaço de paz”, observou. O reitor avalia que a iniciativa representa um encontro entre história, educação e preservação cultural. "Portugueses e espanhóis escreveram capítulos importantes da nossa história, e hoje essa memória está reunida em um espaço que promove conhecimento e aproxima a comunidade de suas origens", concluiu.
Presenças e fado
Integrando a programação oficial do município, o evento contou, ainda, com a presença da presidente da Fundação Attila Taborda, professora doutora Mônica Palomino de los Santos, do presidente da Associação de Amigos do Museu Dom Diogo, Adauto Tercius Simões Pires, do presidente do Núcleo de Pesquisas Históricas Tarcísio Taborda, Jaime Barbosa, e dos secretários municipais de Cultura e de Turismo, Zeca Brito e Gustavo Andrade. O espetáculo de fados foi garantido pelo músico Augusto Camargo.