Palestra na Urcamp debate desafios e perspectivas do planejamento urbano de Bagé

Por Érica Alvarenga - acadêmica do curso de Jornalismo da Urcamp

 

Acadêmicos do curso de Arquitetura e Urbanismo da Urcamp participaram, na última quarta-feira (10), de uma palestra sobre os desafios do planejamento urbano em Bagé. A atividade foi realizada na disciplina de Teoria do Urbanismo, ministrada pela professora Dra. Magali Nocchi Collares Gonçalves. O tema foi desenvolvido pelo coordenador de obras privadas e patrimônio na Secretaria Municipal de Gestão, Planejamento e Captação de Recursos (Geplan), o arquiteto e urbanista Marlon Lameira, que apresentou questões como diagnóstico crítico, instrumentos e agenda futura.

 

O palestrante conduziu uma retomada histórica das últimas décadas do planejamento municipal, abordando a legislação urbanística, à expansão da cidade e aos desafios enfrentados pelo poder público na organização do território urbano. A atividade também buscou aproximar os estudantes da realidade local, relacionando os conteúdos de sala e as situações concretas vivenciadas pelo município.

 

Um ponto de destaque foi a necessidade de atualização dos instrumentos legais que orientam o desenvolvimento urbano. Segundo Márlon, a defasagem dessas legislações impacta diretamente questões como mobilidade, infraestrutura e desenvolvimento econômico. “A falta de atualização das legislações urbanísticas congela decisões importantes e dificulta o desenvolvimento ordenado da cidade. Muitas normas já não dialogam com as necessidades atuais, especialmente em áreas como acessibilidade, inclusão e novas técnicas construtivas”, destacou.

 

Um dos exemplos apresentados foi o Plano Diretor de Bagé, aprovado em 2007, que já ultrapassou o prazo previsto para revisão. O palestrante também chamou atenção para o Código de Obras vigente, cuja origem remonta a 1974.

 

A palestra também abordou situações observadas em diferentes regiões da cidade, como o crescimento do entorno da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), onde o desenvolvimento imobiliário e estudantil ocorreu em ritmo mais acelerado do que a expansão da infraestrutura urbana. Questões relacionadas ao déficit habitacional e à ocupação irregular de áreas ambientalmente protegidas também foram discutidas.

Ao final da palestra, o arquiteto apresentou uma agenda de ações consideradas estratégicas para o futuro da cidade. Entre as propostas estão a elaboração de um novo Plano Diretor, a modernização do Código de Obras, a criação de incentivos para a preservação de imóveis históricos e projetos voltados à revitalização do Centro Histórico de Bagé.

 

Papel do arquiteto na preservação urbana

 

Para a professora Dra. Magali Nocchi Collares Gonçalves, a atividade contribuiu para ampliar a compreensão dos estudantes sobre a relação entre planejamento urbano, patrimônio histórico e atuação profissional. “A palestra permitiu refletir sobre a responsabilidade dos arquitetos e urbanistas na preservação da ambiência urbana e do patrimônio histórico da cidade. Márlon destacou também o papel da Urcamp na formação de profissionais comprometidos com essas questões”, afirmou a docente.

 

Um dos aspectos destacados durante o encontro foi o papel do arquiteto na preservação da identidade urbana de Bagé, cidade que possui um importante conjunto arquitetônico construído entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX. Parte desse patrimônio está localizado na poligonal de preservação definida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE) e inclui imóveis inventariados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

 

 

Conexão entre teoria e realidade

 

Para os acadêmicos, a atividade representou uma oportunidade de relacionar os conceitos estudados na disciplina com situações concretas observadas no município. O estudante, Maurício da Rosa Schervesnquy, avaliou a palestra como um momento importante para a formação dos futuros profissionais.

 

“A palestra foi bastante relevante, especialmente por apresentar uma análise do desenvolvimento urbano de Bagé, abordando aspectos como o uso do solo, os processos de crescimento ordenado e desordenado e a evolução do traçado urbano. A fala convergiu com a leitura da cidade que realizamos no componente curricular Teoria do Urbanismo, permitindo relacionar os conceitos estudados com a realidade”, destacou.

 

FOTOS - Jeferson Vainer/Ascom

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