Fisioterapeuta formada pela Urcamp consolida espaço no Guarany
ESPECIAL DIA DA MULHER
No futebol profissional, onde a preparação física é decisiva dentro e fora de campo, a fisioterapia ocupa papel cada vez mais estratégico. No Guarany, esse trabalho passa pelas mãos da fisioterapeuta Amanda Jardim da Silva, 24 anos, que transformou um estágio acadêmico em carreira consolidada no clube bajeense — trajetória que ganha simbolismo especial no Dia Internacional da Mulher.
Egressa do curso de Fisioterapia da Urcamp, Amanda ingressou no futebol por meio do convênio entre a instituição e o clube, iniciativa que oportuniza vivência prática a acadêmicos e acadêmicas no ambiente profissional. O que começou como experiência de graduação evoluiu para a efetivação no Departamento Médico, função que hoje divide com atendimentos em clínica particular. “Minha trajetória no Guarany começou a partir de uma oportunidade de estágio na temporada de 2025. A área esportiva era do meu interesse e, quando apareceu a chance de integrar a equipe do clube, aproveitei. Desde o início, meu foco foi contribuir com profissionalismo e dedicação. Hoje, já formada, atuo como fisioterapeuta no departamento médico”, relata.
A inserção no cotidiano do futebol exigiu adaptação rápida. Em um ambiente ainda majoritariamente masculino, a jovem profissional destaca que a consolidação do espaço veio pela prática diária. “A adaptação foi um processo natural, exigiu postura e segurança, por se tratar de um ambiente predominantemente masculino. Então, no início, precisei mostrar meu trabalho e conquistar a confiança através da prática no dia a dia. Hoje avalio minha integração de forma positiva”, afirma.
Tomada de decisão e trabalho em equipe
A rotina intensa de treinos, jogos e processos de recuperação acelerou o desenvolvimento profissional. Segundo Amanda, o futebol ampliou sua leitura clínica e reforçou a importância da atuação integrada. “A experiência prática tem sido extremamente enriquecedora. O futebol exige tomada de decisão rápida e trabalho em equipe o tempo todo. Vivenciar a rotina de treinos, jogos e recuperação proporciona um crescimento técnico muito grande. O esporte tem ampliado minha visão profissional e fortalecido minha atuação na fisioterapia”, ressalta.
No dia a dia do departamento médico, ela ressalta que o trabalho vai além da intervenção física e passa pela compreensão individual de cada atleta. “Aprendo diariamente sobre trabalho em equipe. Cada atleta tem sua individualidade; entender o momento do atleta, saber compreender e orientar faz parte do processo de reabilitação e prevenção”, observa.
Presença feminina na preparação
Embora avalie que o futebol esteja mais receptivo à presença feminina, Amanda reconhece que o avanço ainda ocorre de forma gradual. “Sim, acredito que o futebol está mais aberto à presença feminina. Ainda existem desafios, claro, mas as mudanças vêm acontecendo aos poucos. A competência profissional tem sido cada vez mais valorizada independentemente do gênero. A presença feminina mostra que estamos conquistando nosso espaço com base em qualificação e dedicação”, frisa.
Com a carreira em construção, a fisioterapeuta projeta continuidade nos estudos e especialização na área esportiva. “Sim, meus objetivos são me especializar cada vez mais na área, para contribuir de maneira positiva na reabilitação e prevenção de lesões”, pontua.
Ao falar com outras mulheres interessadas em ingressar no futebol, ela resume o caminho de forma direta. “Diria para acreditarem na própria capacidade. É um ambiente desafiador, mas competência, ética e postura profissional constroem respeito. Persistência e confiança são fundamentais para ocupar e manter esse espaço”, finaliza.